Organização do Ensino
EDUCAÇÃO INFANTIL e 1º ano
| ENSINO FUNDAMENTAL (2º ao 5º ano)
| ENSINO FUNDAMENTAL (6º ao 9º ano)
| ENSINO MÉDIO
ENSINO FUNDAMENTAL 2º AO 5º ANO
No ano de 2007, o Colégio Monteiro Lobato seguindo as orientações
da Lei nº 11.274/ 2006, implantou os 9 anos para o Ensino Fundamental,
cuja aprovação foi publicada no D.O.E. de 9/ 12/ 2006.
Os nossos objetivos para os anos iniciais do Ensino Fundamental,
são:
• desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento
de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética,
estética, de inter-relação pessoal e de inserção social para agir com
perseverança na busca do conhecimento;
• compreender a cidadania como participação social, política,
assim como o exercício de direitos e deveres políticos, sociais e civis,
adotando no dia-a-dia atitudes de solidariedade, cooperação e repúdios
às injustiças, respeito ao outro e exigindo para si mesmo respeito;
• utilizar as diferentes linguagens – verbal, matemática, gráfica,
plástica e corporal – como meio para produzir, expressar e comunicar
suas idéias, interpretar e usufruir as produções culturais em contextos,
públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de
comunicação;
• perceber-se integrante, dependente e agente transformador do
ambiente;
• posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva
nas diferentes situações sociais;
• saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos
para adquirir e construir conhecimentos.
A conquista dos objetivos propostos para os anos iniciais do Ensino
Fundamental depende de uma prática educativa que tenha como eixo à formação
de um cidadão autônomo e participativo.
Na visão aqui assumida, os alunos constroem significados a partir de
múltiplas e complexas interações. Cada aluno é sujeito de seu processo
de aprendizagem, enquanto o professor é mediador na interação dos alunos
com os objetos de conhecimento; o processo de aprendizagem compreende
também a interação dos alunos entre si, essencial a sociabilização .
Há determinadas considerações a fazer a respeito do trabalho em sala
de aula, que extravasam as fronteiras de um tema ou área de conhecimento.
Estas considerações evidenciam que o ensino não pode estar limitado
ao estabelecimento de um padrão de intervenção homogênea e idêntica
para todos os alunos. A prática educativa é bastante complexa, pois
o contexto da sala de aula traz questões de ordem afetiva, emocional,
cognitiva, física e de relação pessoal. A dinâmica da sala de aula é
tal que mesmo uma aula planejada, detalhada e consistente dificilmente
ocorre conforme o imaginado e diversas outras variáveis interferem diretamente
na dinâmica prevista.
A seguir, são apontados alguns tópicos sobre a didática que consideramos
essenciais em educação:
Autonomia
A autonomia
refere-se à capacidade de posicionar-se, elaborar projetos pessoais
e participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter
discernimento, organizar-se em função de metas aceitas, governar-se,
participar da gestão de ações coletivas, estabelecer critérios e eleger
princípios éticos, etc.
Como no desenvolvimento de outras capacidades, a aprendizagem de determinados
procedimentos e atitudes, tais como planejar a realização de uma tarefa,
identificar formas de resolver um problema, formular boas perguntas
e boas respostas, levantar hipóteses e buscar meios de verificá-las,
validar raciocínios, resolver conflitos, cuidar da própria saúde e da
dos outros, colocar-se no lugar do outro para melhor refletir sobre
uma determinada situação, considerar as regras estabelecidas é o instrumento
para a construção da autonomia.
O desenvolvimento da autonomia depende de suportes materiais, intelectuais
e emocionais. No início da escolaridade, a intervenção do professor
é mais intensa na definição desses suportes: tempo e forma de realização
das atividades, organização dos grupos, materiais a serem utilizados,
resolução de conflitos, cuidados físicos, estabelecimento de etapas
para a realização de atividades. Também é preciso considerar tanto o
trabalho individual como o coletivo-cooperativo. O individual é potencializado
pelas exigências feitas aos alunos para que se responsabilizem por suas
ações, suas idéias, suas tarefas, pela organização pessoal e coletiva,
pelo envolvimento com o objeto de estudo. O trabalho em grupo ao valorizar
a interação como instrumento de desenvolvimento pessoal, exige que os
alunos considerem diferenças individuais, tragam contribuições, respeitem
as regras estabelecidas, proponham outras atitudes que propiciam o desenvolvimento
da autonomia na dimensão grupal.
Diversidade
A educação
escolar deve considerar a diversidade dos alunos como elemento essencial
a ser tratado para a melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem.
Atender necessidades singulares de determinados alunos é estar atento
à diversidade: é atribuição do professor considerar a especificidade
do indivíduo, analisar suas possibilidades e avaliar a eficácia das
medidas adotadas.
Dessa forma, a atuação do professor em sala de aula deve levar em conta
fatores sociais, culturais e a história educativa de cada aluno, como
também características pessoais de déficit sensorial, motor, psíquico,
transtornos de linguagem, TDAH, Disléxicos ou de superdotação intelectual.
Deve-se dar atenção especial ao aluno que demonstrar a necessidade de
resgatar a auto-estima. Trata-se de garantir condições de aprendizagem
a todos os alunos, seja através de incrementos na intervenção pedagógica
ou de medidas extras que atendam às necessidades individuais.
Interação e Cooperação
Um dos
objetivos da educação escolar é que os alunos aprendam a assumir a palavra
enunciada e a conviver em grupo de maneira cooperativa e produtiva.
Dessa forma, são fundamentais as situações em que possam aprender a
dialogar, a ouvir os outros e ajudá-lo, a pedir ajuda, aproveitar críticas,
explicar um ponto de vista, coordenar ações para obter sucesso em uma
tarefa conjunta, etc. É essencial aprender procedimentos dessa natureza
e valorizá-los como forma de convívio escolar e social.
Assim, a organização das atividades que favoreçam a fala e a escrita
como meios de reorganização e reconstrução das experiências compartilhadas
pelos alunos ocupa papel de destaque no trabalho de sala de aula. A
comunicação propiciada nas atividades em grupo levará os alunos a perceberem
a necessidade de dialogar, resolver mal-entendidos, ressaltar diferenças
e semelhanças, explicar e exemplificar, apropriando-se de conhecimentos.
Disponibilidade para
a Aprendizagem
Para que
uma aprendizagem significativa possa acontecer, é necessária a disponibilidade
para o envolvimento do aluno na aprendizagem, o empenho em estabelecer
relações entre o que já sabe e o que está aprendendo, em usar os instrumentos
adequados que conhece e dispõe para alcançar a maior compreensão possível.
Essa aprendizagem exige uma ousadia para se colocar problemas, buscar
soluções e experimentar novos caminhos, de maneira totalmente diferente
da aprendizagem mecânica na qual o aluno limita seu esforço apenas em
memorizar ou estabelecer relações diretas e superficiais.
A disposição para a aprendizagem não depende exclusivamente do aluno,
demanda que a prática didática garanta condições para que essa atitude
favorável se manifeste e prevaleça.
A intervenção do professor precisa, então garantir que o aluno conheça
o objetivo da atividade, situe-se em relação à tarefa, reconheça os
problemas que a situação apresenta, e que seja capaz de resolvê-los.
Para tal, é necessário que o professor proponha situações didáticas
com objetivos e determinações claros, para que os alunos possam tomar
decisões pensadas sobre o encaminhamento de seu trabalho, além de selecionar
e tratar ajustadamente os conteúdos. A complexidade da atividade também
interfere no envolvimento do aluno. Um nível de complexidade elevado,
ou muito baixo, não contribui para a reflexão e o debate, situação que
indica a participação ativa e compromissada do aluno no processo de
aprendizagem. As atividades propostas precisam garantir organização
e ajustes às reais possibilidades dos alunos, de forma que cada uma
não seja nem muito difícil, nem muito fácil. Os alunos devem poder realizá-las
numa situação desafiadora.
Aprender é uma tarefa árdua na qual se convive o tempo inteiro com o
que ainda não é conhecido. Para o sucesso, é fundamental que exista
uma relação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno de
modo que a situação escolar possa dar conta de todas as situações afetivas.
Quando não se instaura na classe um clima favorável de †††?confiança,
compromisso e responsabilidade, os encaminhamentos do professor ficam
comprometidos.
Organização do Tempo
A consideração
do tempo como variável que interfere na construção da autonomia permite
ao professor criar situações em que o aluno possa progressivamente controlar
a realização das atividades. Através de erros e acertos, o aluno toma
consciência de suas possibilidades e constrói mecanismos de auto-regulação
que possibilitam decidir como alocar seu tempo.
Por isso são importantes as atividades em que o professor seja somente
um orientador do trabalho, cabendo aos alunos o planejamento e a execução,
o que os levará a decidir e vivenciar o resultado de suas decisões sobre
o uso do tempo.
As aulas se organizam por áreas com a professora e tempo previamente
estabelecido (horário escolar). É interessante pensar que uma maneira
de otimizar o tempo escolar é organizar aulas duplas, pois assim o professor
tem condições de propor atividades em grupo que demandam maior tempo.
(aulas curtas tendem a ser expositivas).
Organização do Espaço
A organização
do espaço reflete a concepção metodológica adotada pelo professor e
pela escola.
É preciso que as carteiras sejam móveis, que as crianças tenham acesso
aos materiais de uso freqüente, as paredes sejam utilizadas para exposição
de trabalhos individuais e coletivos, desenhos, murais. Nessa organização
é preciso considerar a possibilidade de os alunos assumirem a responsabilidade
pela decoração, ordem e limpeza da classe. Quando o espaço é tratado
dessa maneira, passa ser objeto de aprendizagem e respeito.
É importante salientar que o espaço de aprendizagem não se restringe
à escola, sendo necessário propor atividades que ocorram fora dela.
(passeios, excursões, teatro, visitas a fábricas, etc.).
No dia-a-dia deve-se aproveitar os espaços externos para realizar atividades
cotidianas como ler, contar histórias, fazer desenho de observação,
buscar materiais, etc.
A organização do tempo e espaço refletem a concepção pedagógica e interferem
diretamente na construção da autonomia.
Seleção de Material
Todo o
material é fonte de informação, mas nenhum deve ser utilizado com exclusividade.
É importante haver diversidade de material para que os conteúdos sejam
tratados de maneira mais ampla possível.
O livro didático não deve ser o único material a ser utilizado.
Materiais de uso social freqüente são ótimos recursos de trabalho, pois
os alunos aprendem sobre algo que tem função social real e se mantêm
atualizados sobre o que acontece no mundo, estabelecendo o vínculo necessário
entre o que é aprendido na escola e o conhecimento extra-escolar. A
utilização de materiais diversificados como jornais, revistas, folhetos,
propagandas, computadores, calculadoras, filmes, faz o aluno sentir-se
inserido no mundo à sua volta.
Avaliação
Compreendemos
a avaliação como:
• elemento integrador entre a aprendizagem e o ensino;
• conjunto de ações cujo objetivo é o ajuste e a orientação da intervenção
pedagógica para que o aluno aprenda da melhor forma;
• conjunto de ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido
e como;
• elemento de reflexão contínua para o professor sobre a sua prática
educativa;
• instrumento que possibilita ao aluno tomar consciência de seus avanços,
dificuldades e possibilidades;
• ação que ocorre durante todo o processo de ensino e aprendizagem e
não apenas em momentos específicos caracterizados como fechamento de
grandes etapas de trabalho.
Para obter informações em relação aos processos de aprendizagem é necessário
considerar a importância de uma diversidade de instrumentos e situações,
para possibilitar, por um lado, avaliar as diferentes capacidades e
conteúdos curriculares em jogo e, por outro lado, contrastar os dados
obtidos e observar a transferência das aprendizagens em contextos diferentes.
É fundamental a utilização de diferentes códigos como o verbal, o oral,
o escrito, o gráfico, o numérico, o pictórico, de forma a se considerar
as diferentes aptidões dos alunos.
O professor pode realizar a avaliação através de:
• observação sistemática: acompanhamento do processo
de aprendizagem dos alunos, utilizando alguns instrumentos, como registro
em tabelas, lista de controle, ficha de avaliação instrumental (lição
de casa e desempenho), diários de classe e outros;
• análise das produções dos alunos: considerar a variedade
de produções realizadas pelos alunos, para que se possa ter um quadro
real das aprendizagens conquistadas;
• atividades específicas para a avaliação: nestas os
alunos devem ter objetividade para expor sobre um tema, ao responder
algumas questões. Para isso é importante, em primeiro lugar, garantir
que sejam semelhantes às situações de aprendizagem comumente estruturadas
em sala de aula; em segundo lugar, deixar claro para os alunos o que
se pretende avaliar.
Os critérios de avaliação têm um papel importante,
pois explicitam as expectativas de aprendizagem, considerando objetivos
e conteúdos propostos para a área e ano, a organização lógica e interna
dos conteúdos, as particularidades de cada momento da escolaridade e
as possibilidades de aprendizagem decorrentes de cada etapa do desenvolvimento
cognitivo, afetivo e social em uma determinada situação, na qual os
alunos tenham boas condições de desenvolvimento do ponto de vista pessoal
e social.
É importante assinalar que os critérios de avaliação representam as
aprendizagens imprescindíveis ao final de cada etapa e possíveis à maioria
dos alunos submetidos às condições de aprendizagem propostas.
Os critérios não expressam todos os conteúdos que foram trabalhados,
mas apenas aqueles que são fundamentais para que se possa considerar
que um aluno adquiriu as capacidades previstas de modo a poder continuar
aprendendo nas etapas subseqüentes, sem que seu aproveitamento seja
comprometido.
O trabalho desenvolvido no Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série se propõe
a considerar, na construção do conhecimento, os pressupostos referentes
à interdisciplinariedade, historicidade e complexidade dos saberes.
Dessa forma, são organizados projetos de trabalho que contemplam os
conteúdos e conceitos relativos às áreas de Língua Portuguesa, Matemática,
Ciências da Terra e do Homem: ciências sociais e ciências naturais,
Artes Visuais, Educação Física, Língua Inglesa.
Os projetos de trabalho objetivam promover espaços para a construção
e socialização dos saberes e das aprendizagens, através do levantamento
de hipóteses dos alunos relativas ao conhecimento, ao desenvolvimento
das relações sócio-afetivas, à potencialização da imaginação e da criatividade,
favorecendo o desenvolvimento da iniciação científica.